Retomada da UFN3 gera corrida por cursos e empregos

Pouco mais de três horas depois da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Três Lagoas, Genilson Nascimento de Araújo da Conceição, de 37 anos, enfrentou um dia nublado e temperatura de 13°C para ir à Casa do Trabalhador. Ele buscava uma vaga de emprego na retomada da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3).
Até o momento, 60 vagas foram preenchidas para o início da obra, marcado para 1º de julho. A Engeko Engenharia, responsável pela primeira fase, prevê abrir entre 1,5 mil e 2 mil vagas na área civil. As oportunidades incluem ajudante de obras, pedreiro, carpinteiro, montador de andaime e soldador. Os salários variam de R$ 2 mil a R$ 6 mil.
Genilson saiu da Bahia para trabalhar como soldador na obra da Petrobras, mas o projeto foi interrompido com a paralisação. Ele deixou o serviço dois meses antes de a empresa fechar e acabou ficando na cidade. Desde então, conseguiu outros empregos. "Empregabilidade aqui é boa, fui ficando por aqui mesmo", disse. Ele continua de olho no canteiro parado da UFN3, na BR-158, a 15 km da zona urbana.
Com a assinatura dos contratos para conclusão da unidade, Genilson retomou o interesse. Ele vai tentar vaga de soldador ou montador de andaime na Engeko. Também faz curso técnico de mecânica no Senai, pensando em um emprego que dure além da obra.
Sidney Abreu, diretor da Casa do Trabalhador, afirma que a procura começou antes da confirmação oficial. Desde o ano passado, trabalhadores ligavam em busca de informações. "A gente foi bem claro: nada é certeza", disse. O órgão já recebeu contatos de pessoas do Amazonas, São Paulo e Nordeste interessadas em migrar para Três Lagoas. "Agora, com a retomada oficial, vai começar a vir", afirmou.
A demanda por cursos chegou ao Senai, que negocia com a Petrobras o programa Autonomia e Renda. O gerente regional da Costa Leste do Senai, Rodrigo Bastos, diz que a previsão é qualificar 1,5 mil pessoas a partir de janeiro de 2027. Os cursos incluem solda, manutenção mecânica, montagem de andaimes e pintura industrial. "Houve movimentos laterais de que ia retomar e não retomou. Agora, as pessoas começam a se interessar", afirmou.
Manoel William Bezerra Martins, de 29 anos, também aguardava atendimento na Casa do Trabalhador. Ele é do Maranhão e chegou a Três Lagoas há 13 anos, quando parentes vieram trabalhar na obra da UFN3. Na época, ele conseguiu vagas como montador de andaime. Agora, voltou a atenção para a retomada. "Está muito falado, ainda mais que o Lula veio aí", disse. Manoel pegou uma carta para uma vaga na Engeko, com salário de R$ 3.580 e previsão de três anos de obra.
Ele vê mais dificuldade de crescer na obra do que no setor de celulose. Por isso, tenta ampliar o currículo. "Querer, a gente quer, mas tem que ir atrás", afirmou. Recém-habilitado, concluiu cursos de máquinas pesadas e soldador. "Agora tem que fazer a prática para conseguir algo melhor", completou.


