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Exportadores de tilápia aceleram embarques antes de tarifa dos EUA

Por Ede Notícias · · 4 min de leitura
Exportadores de tilápia aceleram embarques antes de tarifa dos EUA
MS é o terceiro maior exportador de tilápia do País e tem nos Estados Unidos seu principal comprador (Foto: Famasul/Divulgação)

Mato Grosso do Sul, terceiro maior exportador brasileiro de tilápia no primeiro semestre de 2026, está entre os estados mais expostos a uma eventual sobretaxa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Entre janeiro e junho, o Estado exportou US$ 5,313 milhões e 810,929 toneladas do pescado, das quais 83,84% da receita e 84,50% do volume tiveram o mercado norte-americano como destino.

A possibilidade de impacto ganha relevância diante de avaliação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, sobre o desempenho do setor em junho. Segundo o centro de pesquisas, o volume e a receita das exportações brasileiras de tilápia e produtos secundários atingiram, naquele mês, os maiores níveis de 2026.

O Cepea avalia que o avanço pode estar relacionado a uma tentativa dos produtores de antecipar embarques antes de eventuais tarifas impostas pelos Estados Unidos. O movimento ocorreu em um período marcado por demanda interna enfraquecida e dólar mais elevado.

O centro de pesquisas, no entanto, não apresenta nesse levantamento um detalhamento específico sobre os embarques de Mato Grosso do Sul em junho. A associação com o mercado estadual decorre da posição do Estado entre os principais exportadores e, sobretudo, da elevada concentração das vendas no mercado norte-americano.

MS responde por quase um quarto da receita brasileira

O Brasil exportou US$ 21,662 milhões em tilápia entre janeiro e junho de 2026, correspondentes a 3.818,346 toneladas, segundo dados do ComexStat, sistema do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Mato Grosso do Sul respondeu por 24,53% da receita nacional e 21,24% do volume embarcado no período. O Estado ficou atrás apenas do Paraná, que exportou US$ 10,162 milhões e 2.034,663 toneladas, e de São Paulo, com US$ 5,690 milhões e 842,683 toneladas.

Das exportações sul-mato-grossenses, 671,224 toneladas foram de filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados. Esses embarques geraram US$ 4,937 milhões, equivalentes a 92,93% da receita e 82,77% do volume exportado pelo Estado. As vendas de tilápias frescas ou refrigeradas somaram 139,705 toneladas e renderam US$ 375,576 mil. Essa categoria respondeu por 7,07% da receita e 17,23% do volume.

Os Estados Unidos compraram 685,248 toneladas da tilápia exportada por Mato Grosso do Sul, com receita de US$ 4,454 milhões. O México apareceu na sequência, com US$ 577,230 mil, seguido pelo Canadá, com US$ 217,494 mil. Estônia, Timor-Leste, Vaticano e Palestina completaram a relação de destinos.

A concentração mostra que mais de quatro em cada cinco dólares recebidos pelo Estado com as exportações do pescado vieram do mercado norte-americano. Por isso, uma eventual barreira tarifária teria alcance direto sobre o principal destino comercial da tilápia sul-mato-grossense.

Mercado interno teve preços menores em junho

Enquanto os embarques brasileiros cresceram, as cotações da tilápia recuaram em junho em todas as praças acompanhadas pelo Cepea. Segundo o centro, o mercado operou de forma lenta, diante da baixa demanda, e algumas regiões registraram quedas que não eram observadas desde agosto de 2025.

Colaboradores consultados pelo Cepea relataram que o enfraquecimento da procura pressionou os preços e dificultou as negociações, mesmo sem aumento expressivo na oferta de peixes. Apesar da redução das cotações, o poder de compra do produtor de tilápia melhorou em junho.

A avaliação se refere às regiões monitoradas pelo Cepea e não permite afirmar que o mesmo comportamento de preços ocorreu especificamente em Mato Grosso do Sul. Para o Estado, o dado mais diretamente relacionado ao cenário analisado é o peso das exportações e a dependência do mercado norte-americano.

Tilápia pode ser alcançada por proposta de sobretaxa

A tilápia brasileira, e por consequência a produzida em Mato Grosso do Sul, pode ser atingida pelo movimento tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra bens importados do Brasil. Em 1º de junho, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) concluiu uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

A recomendação foi apresentada como resposta a práticas comerciais que o órgão considera injustas, mas a decisão sobre a implementação cabe ao presidente Donald Trump. Em 3 de junho, o USTR apresentou outra proposta, de 12,50%, associada a uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado. Até então, não havia esclarecimento sobre uma eventual aplicação cumulativa das duas penalidades.

A proposta de 25% recebeu manifestações contrárias de empresas e entidades. Em 1º de julho, companhias como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens Energy enviaram comentários ao USTR pedindo que a cobrança não fosse implementada. Em 6 de julho, representantes empresariais e associativos do Brasil e dos Estados Unidos reforçaram a oposição durante audiência pública.

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