domingo, 02 de agosto de 2026Notícias em tempo real
Ede Notícias Notícias de Mato Grosso do Sul, Brasil e entretenimento
Insights

Secretário de Educação assume sem saber do cargo em MS

Por Ede Notícias · · 2 min de leitura
Secretário de Educação assume sem saber do cargo em MS
Secretário de Educação assume sem saber do cargo em MS

Nos primeiros anos de existência de Mato Grosso do Sul, a administração estadual enfrentou um cenário de grande confusão. Um dos episódios que melhor ilustram a inexperiência dos novos governantes foi a nomeação para a Secretaria de Educação. O cargo chegou a ser ocupado pelo farmacêutico e odontólogo Hercules Maymone, que, sem uma explicação clara, foi logo substituído por Juvêncio da Fonseca, administrador de empresas e advogado. Na época, Juvêncio era assessor de Marcelo Miranda e assumiu a pasta sem ter qualquer noção do que significava governar.

Juvêncio da Fonseca deixou uma confissão histórica sobre sua passagem relâmpago pelo cargo. “Eu fui jogado na Secretaria de uma hora para outra. Hoje, eu não sabia que era Secretário e, amanhã, eu já estava tomando posse. Quando eu tomei pé da situação nós fomos excluídos do governo”, contou. Em seu curto período à frente da pasta, ele não chegou a deixar um relatório para a sucessora, Marisa Serrano.

Marisa, por sua vez, tinha ligações com o grupo de professores que liderava a Associação de Professores de Campo Grande. Era a primeira vez que uma categoria profissional no estado organizava um movimento de reivindicação. Ao perceber a força e a organização mínima daquele grupo, Marisa assumiu a Secretaria com a tarefa de conter a insatisfação dos educadores. Os governantes receavam perder espaço caso não amenizassem a pressão dos professores, que se sentiam prejudicados pelas disputas políticas em torno do cargo de governador. Além de conduzir a Educação, cabia a ela o papel de conciliar os interesses do governo com os dos profissionais da área.

O desfecho desse cenário foi uma das maiores manifestações já vistas em Campo Grande. Até então, a conquista do poder era decidida nos bastidores, sem qualquer participação popular. Um pequeno grupo se reunia e distribuía os cargos públicos entre si. Uma passeata com cerca de 6 mil professores mudou essa lógica. Os manifestantes foram às ruas com bandeiras e pedidos por melhores condições de ensino, incluindo melhoria salarial, realização de concurso público, aposentadoria organizada e melhorias nas escolas. O movimento, surpreendentemente, recebeu elogios da população. A imprensa, que historicamente seguia as orientações dos governantes, também deu espaço à cobertura do protesto, marcando um ponto de virada na relação entre sociedade e poder no estado.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também