Amigos coloridos celebram a vida de Tiago, o ‘Bom Sujeito’

Amigos vestiram blusas coloridas para se despedir de Tiago Pitthan, o Bom Sujeito, que morreu neste domingo (5). A segunda despedida reuniu amigos, familiares e pessoas que se inspiraram na mensagem que o advogado espalhou: a vida é hoje, vamos comemorar, mesmo em meio à tristeza.
Para quem fica, Tiago foi um divisor de águas e um professor que reensinou muitos a viverem. Ele será enterrado como gostava, com blusa igual à dos amigos e o chapéu panamá, que virou sua marca registrada.
A história dele emocionou o país após a decisão de realizar um velório em vida para celebrar as relações e amizades que tinha enquanto ainda podia abraçar, ouvir as homenagens e agradecer.
Na capela onde aconteceu a despedida, estava o quadro com a foto de Pitthan e as assinaturas de quem esteve presente na festa de maio. No rádio, ao fundo, um samba calmo. O chapéu com detalhe vermelho também estava por lá. A namorada permaneceu ao lado dele durante toda a manhã. Familiares preferiram se reservar e não falaram com a imprensa.
O amigo Renato Heimbach, de 40 anos, contou que Tiago era uma pessoa extravagante e que gostava de coisas coloridas. O gosto acabou influenciando os amigos. “Inclusive compramos juntos as camisas um tempo atrás e usamos na decoração do velório dele de maio. Hoje, alguns amigos vieram assim, nada discretos para um velório”.
Para ele, o bom sujeito mudou a forma como enxerga a vida, a presença e os amigos. “Ele foi uma pessoa que sempre valorizou a amizade e tinha pessoas por perto. Tem pessoas que podem ser muito felizes com poucos amigos, mas esse não era ele. Ele gostava de ter muitos amigos e tinha vários amigos diferentes. Estava em vários grupos sociais e conseguia aproveitar cada um deles. Isso, para mim, é uma aula”.
Antes do diagnóstico, ele já tinha essa maneira de viver, mas, depois do câncer de intestino, resolveu se jogar ainda mais. Renato conta que Tiago tinha um jeito diferente de viver: era intenso em tudo e sempre queria sair de casa e viajar. “Depois do diagnóstico, isso não mudou. Ele entendeu que o tempo dele estava acabando. Ele falava que a diferença era que o tempo dele era mais curto que o nosso. Ele falou que queria aproveitar para fazer tudo o que queria e não deixar para depois, porque às vezes não tem um depois”.
Débora Bordin foi outra que vestiu a camisa colorida, pelo menos a mais colorida que tinha no guarda-roupa. A amizade entre eles é de anos e, para ela, Pitthan sempre esteve presente na vida de quem gostava, incentivando e mostrando que a vida presta. “É o legado que ele deixa, de mostrar a importância de viver a vida todos os dias, de gostar e observar as pequenas coisas, a família, os amigos e viver bem. Como ele disse: a gente está vivendo, não morrendo. Temos que viver do jeito que a gente puder e com sorriso no rosto, que é o que ele fez até o último dia da vida dele”.
Para a jornalista, muita coisa mudou desde Tiago. Ele mostrou que é possível ser feliz, fazer coisas com amigos próximos no dia a dia. “Mesmo que tenha uma dificuldade grande, que é o que ele teve de dor, ele viveu a cada dia da melhor forma que pôde. Assim como os meninos, eu procurei vir com uma roupa mesmo sóbria, para entrar no clima que ele queria”.
Renan Vieira Heimbach, de 38 anos, também está na lista de amigos de longa data de Tiago. Ele conta que foram anos difíceis com a doença, mas que ele ensinou muito em meio à própria dor. “Ele é praticamente um irmão. Muita coisa muda depois do Thiago. Ele mostrou que o que vale é a vida que a gente leva. Falei para ele que vivemos ansiosos pelas coisas do futuro e depressivos pelo passado, que não vivemos o presente. Mesmo nessa fase muito triste, tivemos momentos muito felizes. Ele ensinou muito para a gente, a encarar a doença com outros olhos, de viver, não ficar pensando na morte e, sim, na vida”.
Álvaro Marzochi, de 39 anos, veio parecido com o bom sujeito. Foi Tiago que o ajudou a se reerguer de um momento difícil da vida. Apesar das lágrimas que tenta limpar do rosto, o amigo conta que a despedida é chorar e rir ao mesmo tempo. “A gente saía assim, ia para o samba junto. Era tradição nossa ir para o samba, fazer esporte de aventura. Ontem, a família me chamou para ajudar a escolher a roupa com que ele estaria aqui hoje, e vim assim. Ele me ajudou muito quando eu estava perdido, ele me levou para fazer esporte de aventura, até no samba. Eu falo que ele me ensinou a viver e aí, depois do câncer, ele ensinou o Brasil inteiro”.
Para Álvaro, a mensagem que Tiago espalhou vai permanecer e foi lindo ver pessoas que ele sequer conheceu admirarem e torcerem pela recuperação dele. “A mudança que ele causou na minha vida causou em milhares de pessoas. Não é sobre morte, é sobre vida. Esse colorido, esse sorrir enquanto a gente chora. A história dele é muito bacana, mas o Thiago sempre encantou quem estava em volta. É fácil falar depois que partiu, mas o Thiago era esse cara que trazia bom humor e alegria onde ele estava. Eu não sei se ele esperava a repercussão, mas quem estava em volta sabia que a mensagem dele iria se espalhar de alguma forma”.
O velório acontece até às 16h, no Cemitério Memorial Park, no Bairro Universitário, e o enterro deve contar com samba ao vivo.


